Lutero estava relutante em casar. Apesar de ter renunciado a todos os votos de monge, o reformador não se sentia impelido a contrair matrimónio. A decisão partiu da convicção que deveria cumprir a vontade de Deus e ser um exemplo para o rebanho que tinha a seu cargo. Afirmaria mais tarde que quando decidiu casar com Katharina não se sentia nem romântica nem fisicamente atraído pela sua noiva, embora tivesse por ela muita estima.

A Katharina não restavam muitos pretendentes mas ainda assim recusara dois pedidos de casamento. Mas o futuro da antiga freira, que deixara o mosteiro, não se afigurava promissor enquanto mulher solteira e o casamento com Lutero surgia como uma solução viável.
O amor e afeição mútuos foram crescendo entre o casal. Lutero admirava a sua Käthe como companheira no seu ministério, uma esposa “obediente e prestativa”; escreveria a um amigo: “Amo a minha Kate; sim, gosto mais dela do que de mim mesmo.” Katharina via em Martinho um homem “querido e precioso”.

O que começara por dever tornou-se numa relação marcada por ternura, confiança e humor. Lutero passou a chamar-lhe “minha senhora Käthe”, com afecto e respeito, reconhecendo nela uma parceira firme e sensata. Katharina, por sua vez, cuidava dele com dedicação, acompanhando-o nas doenças, nas angústias e nas lutas da Reforma. O amor cresceu no quotidiano partilhado – feito de conversas à mesa, do riso dos filhos, da lida com a casa e das cartas trocadas.
Juntos tiveram seis filhos (Hans, Isabel, Madalena, Martinho, Paulo e Margarida), chegando quatro à idade adulta. Formaram uma família hospitaleira, com uma mesa recorrentemente repleta de convivas, de cerveja e de música.
Katharina foi o equilíbrio na vida de Lutero, Lutero foi a casa que faltava a Katharina.
Tudo começou numa Terça-feira, 13 de Junho de 1525, quando Martinho Lutero e Katharina von Bora fizeram votos de fidelidade para o resto das suas vidas.
Passam hoje quinhentos anos.